O seu filho diz que está muito nervoso com uma prova, ou que sempre esquece o que estudou no momento de fazer uma apresentação para a turma. Esses são sinais de uma pessoa ansiosa, mas que podem acontecer com todos. Entretanto, a ansiedade na adolescência pode ser muito mais do que uma irritação passageira. Se não for observada com cautela, ela pode evoluir para um transtorno emocional.
Sendo assim, conhecer mais sobre o tema é o primeiro passo para evitar que isso ocorra em sua casa. Então, acompanhe os principais motivos que levam à ansiedade e saiba como evitar o desenvolvimento desse quadro na adolescência.
Motivos da ansiedade na adolescência
Esse transtorno mental pode não ser algo tão claro para os pais. Às vezes, parece uma característica comum devido a um problema pontual, mas a ansiedade na adolescência deve ser observada de perto.
É preciso entender até que ponto os sintomas são comuns e quando é um caso clínico que precisa de acompanhamento terapêutico. Há diversos motivos que levam o adolescente à ansiedade. Entre os mais comuns estão:
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genética;
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ambiente estressante;
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bullying;
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separação dos pais;
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traumas;
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pressão;
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internet em excesso.
Nem sempre as causas são simples, e cada jovem tem suas particularidades. Conhecendo a raiz de um problema é mais fácil vencer e superar essa fase difícil para toda a família. Por isso, veja cada um desses motivos em detalhes para entender como funcionam.
Genética
Pesquisas acadêmicas comprovam que a ansiedade pode ser originada pela genética. Isso significa que, se há casos na família desse mal, é provável que se reflita nas gerações futuras.
Por isso, pais e mães ansiosos devem estar ainda mais atentos, em especial por já saber da sua condição, e não colocar mais esse peso no jovem. Além da própria disposição natural, o estresse dos pais pode aumentar a ansiedade dos filhos.
Ambiente estressante
Seja em casa, na escola, no pré-vestibular ou no curso de inglês, é preciso prezar por um ambiente tranquilo. Locais competitivos ou em que haja brigas e desentendimentos é uma porta para a ansiedade na adolescência.
O período dos 13 aos 18 anos é uma fase de descobertas, medos, inseguranças e é a base para a formação da vida adulta. Por isso, um ambiente estressante apenas contribui para o desenvolvimento de diversos males psicológicos, como a tristeza aguda e o nervosismo.
Bullying
Esse tema é debatido com frequência nos colégios, o que aumenta a rede de apoio para evitar o bullying. Muito além de ser apenas uma brincadeira, esse caso envolve crueldade física e emocional, levando a diversos traumas.
O adolescente que sofre com bullying sente muita vergonha de contar para a família. Para ele, isso seria um sinal de fraqueza. Por isso, é importante que as escolas e os pais falem sobre o assunto, mostrando que estão abertos para o diálogo e a resolução do conflito.
Separação dos pais
Não é apenas na infância que um divórcio pode ser fonte de ansiedade para os filhos. Todo o clima de tensão acaba afetando a saúde emocional do adolescente. A mudança na rotina e na estrutura familiar é um fator de risco.
Por isso, se essa situação for a realidade da família, é preciso evitar que o jovem presencie discussões e acusações. Assim, é possível fazer essa transição de uma maneira mais amena para todos os envolvidos.
Traumas
Eventos traumáticos podem ser um dos motivos que geram a ansiedade. O nome científico para esse quadro é transtorno de estresse pós-traumático (TEPT). Por isso, casos como enchentes, abusos, acidentes de carro, entre outros, devem ser levados em consideração.
É aconselhável que, após a ocorrência de um evento traumatizante, o jovem seja encaminhado para a psicoterapia. Dessa forma, ele pode processar com mais calma o fato e evitar o desenvolvimento de um transtorno de ansiedade.
Pressão
Para os adultos, que já ganharam maturidade e passaram pela adolescência, a ideia de pressão nessa fase pode parecer insignificante. Entretanto, o jovem sofre com seus próprios problemas e a falta de estabilidade emocional costuma gerar um grande estresse.
Isso é muito notado, em especial, durante o vestibular. Além das atividades comuns do colégio, o adolescente também precisa administrar um curso preparatório. Nessa etapa a cobrança é alta, porque ele vê a escolha da faculdade como determinante para o sucesso no futuro.
Internet em excesso
Esse é o principal motivo para a ansiedade na juventude. É pouco provável viver na era da tecnologia e não estar em contato com a internet. Essa ferramenta é incrível e facilita a vida de diversas formas, porém nem sempre estar online é a melhor opção.
O contato com números de seguidores e famosos com vidas, aparentemente, perfeitas gera uma ansiedade intensa. O adolescente compara sua realidade com a de um blogueiro ou youtuber que acompanha pela rede social e questiona por que não vive daquela maneira.
O uso das redes sociais
Com um smartphone, é possível ter acesso a um mundo de informações que podem ser perigosas. Perfis e grupos que apoiam a magreza excessiva, ou jogos suicidas também estão disponíveis a um clique.
Por isso, a exposição às redes sociais estimula um processo de transtornos emocionais. Toda a formatação é feita para prender o jovem no aplicativo, fazendo com que ele passe diversas horas na internet. É importante entender que usar as redes sociais de forma equilibrada é aceitável. A proibição do uso desses canais não é o que resolverá o problema da ansiedade na adolescência.
Entretanto, é preciso acompanhar o jovem e mostrar alternativas para não estar todo o tempo conectado. O ideal é usar redes como Facebook, Instagram, Twitter e Youtube com inteligência, sem que elas ocupem a maior parte do dia.
Riscos do excesso de tecnologia
Todo este cenário idealizado que é visto nas redes sociais, em que uma pessoa sempre está maquiada, vestida com as melhores marcas e nos lugares mais incríveis é preocupante.
Vender pelas redes sociais é um trabalho feito pelas pessoas conhecidas como “Digital Influencers”, ou seja, influenciadores digitais. Como o objetivo é provocar o desejo pela compra, nas fotos e vídeos está presente apenas um recorte do cotidiano da celebridade, mas o adolescente não consegue ter esse discernimento.
Por isso, é usual comparar o seu corpo com o daqueles que acompanha, suas roupas, seus aparelhos eletrônicos etc. Dessa forma, o uso desregrado desses sites acaba causando riscos à saúde física e mental, podendo levar não apenas à ansiedade, mas também à bulimia, anorexia, insônia e depressão.
Além disso, a exposição constante à luz das telas do notebook, tablet e celular também é um dos problemas do uso excessivo de internet. Essa luminosidade atrapalha o sono e confunde o relógio biológico, fazendo com que o corpo não perceba que é o horário para desacelerar.
O que fazer para evitar a ansiedade na adolescência
Para que o jovem preserve sua saúde psicológica, a família deve estabelecer o diálogo frequente. Estar perto do adolescente gera uma rede de confiança, assim ele consegue contar suas aflições, sem medo de sofrer julgamentos ou represálias.
Além disso, também é indicado estimular atividades presenciais que ajudem no relaxamento. Logo, ao estar em uma academia, aula de dança, no teatro e em exposições artísticas, é mais fácil evitar o uso constante dos smartphones e incentivar novas amizades entre os jovens.
Por fim, caso ansiedade na adolescência esteja em um estágio muito avançado, é preciso conversar com um especialista. Dessa maneira, a visita a um psicólogo é a melhor solução para evitar o agravamento do caso.
Com esses cuidados, é possível proporcionar uma rotina muito mais saudável para os filhos. Quer saber mais sobre o limite do tempo online? Então, confira também este artigo sobre o uso da tecnologia na infância.